Sabe aquele papo de que coração fechado não se machuca?

Eu sou uma pessoa que concorda plenamente com isso. Mas, mesmo concordando, sempre fui do tipo que não tem medo de se entregar, tampouco de se machucar. Minhas dores de desamores são sempre bem sofridas e bem vividas.

Quando partem meu coração eu costumo passar um mês numa fossa sem fim. Choro sozinha no quarto, no chuveiro, escondida no banheiro da faculdade, não tenho vontade de sair e quando tocam no assunto ou perguntam “como vai o fulano?” eu choro mais um pouquinho. Ao mesmo tempo que eu sofro feito uma condenada, como se fosse o fim da vida ou do motivo dela, eu noto o quão forte e corajosa eu sou por nunca desistir de tentar.

Tem gente que é viciada em adrenalina, outros em drogas, alguns cocaína, Coca-Cola e até paçoca… Eu? Eu acho que sou viciada na sensação de estar apaixonada, pelo frio na barriga e arrepio na coluna quando tem alguém especial. Não tenho medo de dor de amor.

Minhas dores passam tão rápido quanto elas chegam. Não sou uma pessoa que fica martelando na mesma tecla, tentando o possível e o impossível pra um amor dar certo. Se for pra ser, será. Se não for pra ser, não será.

É sempre doloroso quando tu tá num relacionamento que tu acredita ser perfeito e tudo desanda. Tu idealiza tanto essa relação que só consegue ver as coisas boas que estão acontecendo e passa a ignorar todos os sinais de que a coisa começou a desandar. A gente acaba se culpando e perguntando “onde foi que eu errei?”. Não acho que exista uma resposta pra essa pergunta, não acredito que alguém tenha realmente “errado”.

Ninguém manda no coração da gente. Da mesma forma que ele começa a palpitar por alguém, ele também para de palpitar por alguém. É totalmente inconsciente. Fulano não tem culpa por parar de sentir aquele frio na barriga toda vez que te vê, ele não tem culpa de não estar mais apaixonado.

As vezes um pé-na-bunda dói tanto, machuca lá no fundo, rasga pedacinho por pedacinho do nosso pobre coração. Mas sabe, ninguém tem culpa, não. Não merecemos a verdade? Mesmo que doa pra caramba, eu prefiro mil vezes que a pessoa que eu amo e quero ficar junto seja sincera comigo, que me fale a verdade e que não sente mais nada, do que permaneça comigo por simples compaixão ou consideração.. Ninguém merece permanecer em um relacionamento por pena. Ninguém merece um amor pela metade, até porque, se for pela metade, nem é amor.

As vezes a gente tem medo de terminar um relacionamento com alguém que estamos juntos há tempos, que temos uma consideração enorme e um respeito absurdo, mas… se não formos atrás da nossa felicidade, quem fará isso por nós? Se alguém não sente mais por você aquele amor que outrora ali esteve presente e, tampouco, imaginar um futuro contigo, só o que resta é aceitar e seguir a vida.

Ter um período de “luto” pós término pra aceitação é totalmente normal. Temos sim que sentir e colocar todo aquele sentimento preso pra fora. O que não é normal é parar de viver e ficar se martirizando por algo que, no fundo, ninguém tem culpa. Tenho certeza de que por mais que doa muito, todo fim é um novo começo.

Temos que ver o lado positivo em cada situação e acontecimento da nossa vida. Temos que aprender a tirar lições de cada um destes momentos, sejam eles positivos ou negativos, felizes ou tristes.

Independente das dores de desamores, sem dúvidas, nós merecemos um amor inteiro, que some, que nos complete e nos transborde. Afinal, quem fica pelas razões erradas, acaba não ficando por muito tempo. E a fila? A fila anda.

Sofia Carraro Rocha

Ilustração por Brunna Mancuso

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